Tem um fenômeno da cultura pop que sempre me fascinou: os artistas de uma música só, os chamados “one hit maker”. A história está cheia deles e sempre me pergunto como fica a cabeça de um sujeito desses. Muitos são grosseiras armações de gravadoras e empresários, mas outros – talvez até a maioria deles – são artistas que ralam, se esforçam e conseguem compor, gravar e emplacar um mega sucesso. Gente que chega lá, vê como é o topo e depois some num buraco negro.
Com o sucesso, vem a grana, o assédio, os programas de televisão, entrevistas, autógrafos, fãs e o pacote completo do pop star. Mas, de tanto tocar a mesma música, vem a saturação e é aí que a porca torce o rabo, o caldo entorna e o camarada se vê num mato sem cachorro. Vanessa Rangel errou seu “Palpite” e sumiu, o Yahoo pegou hidrofobia com sua “Mordida de amor” e desapareceu, Vanila Ice foi pra geladeira com “Ice, ice, baby”, MC Hammer não se tocou que precisava ir além de “U can’t touch this” e por aí vai. Poderia ficar dias escrevendo outros exemplos e fazendo mais trocadilhos infames, como a triste história do “Ursinho blau-blau”, dos Uns e Outros que teve sua “Carta aos missionários” extraviada para o além ou de dezenas de bandas de axé music que “estouram” tanto a cada verão que não sobra nada para o verão seguinte.
Em tempos de Rock in Rio, é só dar uma relembrada nas escalações dos festivais anteriores pra lembrar de vários “one hit makers”, como o Dee Lite, Nina Hagen, Debbie Gibson, Happy Mondays, Information Society, New Kids on the Block e outros ainda menos cotados. Todos desaparecidos e sem deixar maiores saudades.
Hoje, graças ao Youtube a ao Google, ninguém desaparece de vez e confesso que volta e meia me pego pesquisando o destino de um artista desses. Quando encontro, assisto, comento com algum amigo por perto, dou uma risadinha e esqueço deles de novo. Mas de tanto me interessar pelo assunto, desenvolvi um faro pra detectar artistas de um sucesso só e quando vejo um deles, lembro imediatamente de uma expressão (acho que de Nelson Rodrigues ou de Stanislaw Pinte Preta), que dizia que bastava ler meia página de alguns escritores para saber que eles “despontavam para o anonimato”. Adaptando para músicos, não precisa nem assistir o dvd ao vivo para saber que muito provavelmente daqui a alguns meses - se Deus quiser! - Luan Santana, Justin Bieber e a dupla sertaneja mais tocada do momento (que nem sei quem é) não vão mais importunar ninguém.

1 comentários:
Se voce pesquisar na net vai ver que Nina Hagen continua cantando, participando de festivais, vivendo uma vida muito da boa, irradiando irreverencia com a figura e a voz maravilhosa que tem.
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