
Relutei um pouco em escrever sobre a Flica, a Festa Literária Internacional de Cachoeira. Podia parecer meio cabotino ficar aqui falando que foi sensacional, que a produção foi excelente e que minha mesa foi o máximo. Mas tudo isso caiu por terra quando recebi a foto que ilustra esse post, tirada por Vinícius Xavier assim que eu e Reinaldo Moraes descemos do palco, após a nossa apresentação no evento. É só olhar a cara da gente, a de Aurélio Schommer (o curador da Flica) e de Mirdad (um dos produtores/idealizadores do evento). A mesa pode não ter sido perfeita, mas a satisfação com o trabalho feito tá na cara da gente.
Conhecer e trocar uma idéia (com acento, assim como Pornopopéia) com Reinaldo Moraes, um dos escritores brasileiros que mais admiro e com quem me identificava muito como leitor, já valeu mais do que o cachê. Reinaldo tem um senso de humor e uma capacidade de não se levar a sério que deixa você à vontade assim que troca um bom dia com ele. Aliás, nosso primeiro diálogo, num encontro casual no restaurante do hotel foi:
- Reinaldo?
- Victor?
- Eu mesmo!
- Fala, meu comesário!
E aí fomos almoçar e seguimos conversando fiado, como se nos conhecêssemos de longa data, primeiro no almoço e depois no palco da Flica. Alguns podem achar que nos excedemos nos palavrões, nas cafajestadas e na esculhambação total geral e irrestrita a minorias, religiões, literatura e o que viesse à nossa cabeça. Mas as palmas e os cumprimentos do público mostraram que a maioria parece ter gostado. Eu me diverti muito e mais ainda quando soube que escandalizamos umas freirinhas incautas que apareceram por lá, não sei se atraídas pelo tema (Escrachos,escárnios e pornografia) ou pela possibilidade de propor a nossa excomunhão ao papa.
Foi um dia muito legal e que vai ficar guardado com carinho na minha memória. Adorei a Flica e espero participar novamente seja como convidado ou público, me diverti muito, fiquei feliz com a repercussão da mesa, com os novos leitores conquistados (nunca vou esquecer do segurança e suua esposa, que sem a Flica possivelmente nunca me conheceriam, pedindo uma dedicatória num exemplar de "Cafeína"), com os ensinamentos que tive na minha rápida convivência com Reinaldo Moraes e com a avaliação que ele fez do meu trabalho nos e-mails que trocamos depois da Flica. Não vou revelar o que diziam nossos e-mails, mas posso contar um rápido diálogo que tivemos quando trocamos dedicatórias nos nossos livros. Entreguei a ele o “Cafeína” e o “A insuportável família feliz” e rolou o seguinte diálogo:
- Você é bom de títulos
- Eu capricho, título é importante.
- Até porque quase ninguém lê os livros, mas os títulos todo mundo lê.
Lição anotada!

3 comentários:
Só uma expressão: rock'n'roll!!!
Foi muito do caralho a Flica e a mesa de vocês! Na real foi a primeira que me chamou a atenção na programação e corou o evento pra mim (uma vez que foi a última que assisti).
Na semana seguinte minha irmã (que também estava lá) comprou o Cafeína e o Pornopopéia...fiquei instigadíssimo, ainda que sem tempo algum pra ler algo fora das minhas atuais obrigações acadêmicas. Mas não resisti e numa noite peguei o Cafeína e comecei...e não parei...e terminei na mesma noite. Cada conto incitava a leitura de outro.
Parabéns, man. Além de um interlocutor divertido, inteligente e interessante, você escreve muito bem.
Abraço
Valeu, Rodrigo! Muito bom ter esse retorno. Foi ótimo participar da Flica e melhor ainda ganhar novos leitores por causa disso. Espero que você leia e goste do meu novo livro também.
Abraço,
Victor
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