sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Sobre um filme que você vai gostar.

Antigamente eu assistia muitos filmes. Encarava dos blockbusters americanos a filmes iranianos, chineses, egípcios, marroquinos, angolanos, congoleses e de países que nem a ONU ouviu falar. Vi muito filme bom, mas também vi muita porcaria, daquelas que só estudante de comunicação ou de cinema diz que gosta, mesmo que durma de roncar e babar durante a projeção, como cansei de ver nos cinemas de arte por aí.

Aliás, o fenômeno de elogiar filmes, livros ou músicos que ninguém gosta é uma praga que assola a humanidade há tempos. Lembro de um colega de faculdade que me apresentou o Nevermind, do Nirvana, numa versão importada. Ouvi e achei genial, como ele também achava. Aí o Nirvana estourou na MTV e virou a melhor banda de todos os tempos da última semana e ele passou a odiar o Nevermind e o Nirvana! O mesmo trabalho que era genial ficou péssimo!

Isso se repete no cinema com filmes iranianos, por exemplo. Tem uns ótimos, é verdade, mas tem uns chatíssimos. Agora, vai falar mal de um filme iraniano em certos ambientes e veja o que acontece com você! Eu digo logo: esse Abbas Kiorastami é um chato! Só não é mais chato do que Godard porque fez um ou dois filmes legais antes de virar um chato completo. Diferente de Godard, que sempre foi chato pra cacete.

Na literatura não aguento mais conhecer leitores de Joyce, Proust, Kafka ou Borges que nunca leram (ou mesmo tentaram ler) os ditos-cujos, mas arrotam citações aos borbotões e usam o seu gosto pessoal elevadíssimo (sic) como desculpa pra não ler e não gostar de mais nada que se escreve no mundo. Isso pra não falar dos “leitores” de Clarice... Quanta chatice! Pra terminar o parágrafo numa rima bem pobre, pra irritar os pseudo amantes da poesia que só não são mais chatos do que os “poetas” que brotam a cada esquina, blog ou perfil de Facebook desse mundo, mundo vasto mundo/ se eu me chamasse Raimundo/ seria uma rima, não seria uma solução/Mundo mundo vasto mundo/ mais vasto é o meu coração. Como diria o Drumkond, que sofre com uns poeteiros que agora resolveram depreciá-lo.

E por falar em coração, assisti “O palhaço”, filme novo de Selton Melo, que falou diretamente ao meu surrado coração, que sorriu e se emocionou como há tempos não fazia numa sala de cinema. Lindo, emocionante, bem dirigido, com participações especiais brilhantes como a de Moacir Franco, só pra citar uma delas. “O Palhaço” me transportou para um tempo e um lugar especial, uma dimensão quase onírica da memória (falei bonito agora!), e me fez assistir o filme com um sorriso feliz e emocionado nos lábios do começo ao fim. Nada de gritaria, câmera perdendo o foco e balançando, gente morrendo esguichando sangue, efeitos especiais, atores exibindo a genitália ginecológicamente, proctologicamente ou urologicamente. Nada de apelações, cabecismos ou hermetismos pascoais. Tudo nos tons certos e precisos, aqueles mesmos que, continuando a citar Caetano, “nos salvam, nos salvarão dessas trevas e nada mais”.

3 comentários:

Por que você faz poema? disse...

"O Palhaço" é sinal de que nem tudo está perdido, enquanto os "poetas" do feice se multiplicam por aí. Quanto às citações, moda agora é cinema argentino, além de Caio Fernando Abreu.

Diogo disse...

Assisti à um argentino há pouco tempo atrás chamado Meddianeras, e achei legal. O Palhaço é excessão no cinema brasileiro. Neste quesito nossos hermanos estão há anos luz.
Um puta filme bom que fala de palhaço tb é o Balada de amor e ódio.

Nardele disse...

Amei O Palhaço num grau altíssimo. Sorri bestinha, achei lindo, um pisca-pisca, de tão lindo.