Todo Natal era a mesma coisa. Bastava ouvir os primeiros acordes de “Emoções” no especial de Roberto Carlos pra Adalgisa sentir aquele calor vindo de um lugar perdido entre suas pernas. Esse ano, depois de encarar um chester com farofa e passas, desentalar com vinho vagabundo, falar com os filhos e netos pelo telefone, empacotar e botar pra dormir o velho Natanael, nada melhor do que encarar as emoções reais e sonhar em cavalgar por toda a noite por uma estrada colorida, usando os beijos como açoite e sendo acariciada pelas mãos mais atrevidas. Porém, como tudo que se gosta é ilegal, imoral ou engorda, amanhã de manhã quem vai pedir o café pra nós dois não é o Rei. É o velho Natanael, que sempre acorda com um mal humor daqueles que dá vontade de mandar ele e tudo mais para o inferno. Mas, apesar de tudo isso, é preciso saber viver...

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