quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Por um ano novo sem ideias velhas.

Tem um ano novo por aí, apesar desses dias modorrentos que marcam o seu início. E como o ano é novo, seria ótimo que ele trouxesse novidades. Na área da política, novidades seriam muito bem-vindas, por sinal. Ando cansado de tanta denúncia de corrupção, sejam as atuais ou as requentadas em livros como “A privataria tucana”. Aliás, poucos livros foram tão comentados nesse país e em todos os comentários sempre tinha uma queixa que ninguém comentava nada sobre o livro, que foi muito mais comentado, por exemplo, do que o livro novo de José Neumane Pinto “O que sei sobre Lula”, com uma série de dados desabonadores sobre o ex-presidente, que não mereceu uma resenhazinha sequer em lugar nenhum, apesar da notoriedade do seu autor.

Mas voltando às novidades, é claro a corrupção é um absurdo e acho que os culpados devem ser demitidos, investigados e punidos, mas acho também que essa famigerada prática é endêmica, suprapartidária e não vai desaparecer com o PT, o PSDB ou quem quer que seja, assim como não desapareceu em canto nenhum do mundo. É preciso dificultar a vida dos bandidos, fiscalizar mais e punir com mais rigor, mas erradicar é impossível e transformar essas denúncias no único debate político do Brasil é um artifício que só serve para manter as coisas como estão e, apesar de termos chegado ao 6º PIB do mundo, as coisas não andam nada bem para quem vive no Brasil da violência desenfreada, da péssima qualidade da saúde pública, da educação ridícula e da criminosa concentração de renda, num quadro bem diferente do 7º PIB do mundo, a recém ultrapassada Inglaterra, onde se vive bem melhor do que aqui.

Com essa discussão eterna e estéril sobre quem é mais ladrão, não se debatem mais ideias, caminhos para o país, novas visões econômicas ou políticas sobre nada. A discussão é quem é pior, se o governo atual (Lula-Dilma-PT) ou o anterior (FHC-PSDB). Curiosamente, esses dois partidos tem um ideário e uma forma de gerir o país muito parecida, com pontuais e importantes diferenças, claro, mas a oposição não faria muito diferente do que a situação está fazendo. É tudo mais do mesmo.

Nesse caminho avançamos e isso é inegável, mas creio que agora é preciso algo novo. Não é possível que só exista esse Fla-Flu bobo de PT-PSDB ou essas discussões cretinas que surgem a cada debate. No Brasil é assim: um sujeito critica o outro e o criticado, ao invés de rebater a crítica, desqualifica o oponente e tudo vira bate-boca, que termina numa negociação de bastidor e num acordo suspeito. Por exemplo: um senador de oposição acusa o governo de corrupção. O líder do governo prontamente sai em defesa, o que é absolutamente legítimo, mas o argumento usado geralmente não é um esclarecimento da denúncia e sim algo como “no tempo em que vocês eram governo acontecia isso e aquilo e vocês não faziam nada”, aí o foco do debate muda, porque o acusador passa a ter que defender um governo que foi substituído justamente porque o eleitorado não queria mais ficar com eles. Nesse diversionistmo malandro, a informação principal se perde, o debate se desqualifica e o barco segue em frente sem maiores novidades e como voltamos às novidades, que o ano novo traga boas novas para todos nós.

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