Ainda não assisti Avatar. Acho que sou um dos últimos terráqueos que ainda não assistiu Avatar. Confessar isso assim para minha meia dúzia de leitores me deixa até meio constrangido, mas não assisti e pior: não tenho a menor vontade de fazê-lo ou a menor curiosidade de ver o 3D, os efeitos especiais ou a história, que nem procurei saber direito do que se trata.
Tem várias outras coisas que não me interessam nem um pouco e não tenho nenhuma angústia ou constrangimento em assumir isso. Assim como não tenho a menor ansiedade de acompanhar todas as novidades e todas as tendências que surgem a cada dia. Não tenho twitter, não tenho IPhone, não faço parte de nenhuma ong para salvar o mundo, não tenho a menor vontade de ter um e-reader, não deixei de comprar CDs e nem pretendo, não baixo filme pela internet, não faço ioga, meditação transcendental, sexo tântrico ou leio livro de autoajuda, nunca li e nem pretendo ler Paulo Coelho, Harry Potter, o Crepúsculo ou a trilogia Senhor dos Anéis, não faço parte dos 80% que acham o governo Lula o máximo, não gosto de axé music, funk carioca, Jorge Vercillo, Ana Carolina, Seu Jorge, Malu Magalhães, Fresno e bandas novas que imitam bandas antigas que já ouvi.
Outro dia desses, em pleno engarrafamento, vi duas coisas que me chamaram mais a atenção do que tudo isso que escrevi antes. A primeira coisa foi um adesivo colado num Chevette velho, bege e todo enferrujado, dirigido por um sujeito gordo, feio e meio tosco, um típico “looser” como diriam os americanos. Mas o adesivo colado no seu Chevette era um primor da mais elevada autoestima: “A sua inveja é a minha força”.
Diga aí se o cara não tem uma autoestima admirável? Achar que alguém vai ter inveja dele, naquele Chevette velho e enferrujado, sem ar condicionado e soltando fumaça é a prova cabal de que aquele sujeito não se acha: ele tem é certeza! Parabéns para ele.
A outra coisa que chamou minha atenção foi uma enigmática pichação, num dos muros de concreto de um dos maiores canais de esgoto da cidade. Ela dizia: “Foda-se os home”, assim mesmo, com erro de concordância e tudo. A frase é um primor de fúria e inconformismo nilista, mas de quem será que o autor está falando? Seria da polícia, dos políticos, do sistema? Prefiro crer que a frase é na verdade uma obra aberta, onde cada um de nós pode escolher quem vai mandar se foder. Ali, naquele engarrafamento num dia de verão, ler “Foda-se os home” foi um bálsamo, um ato libertador quase que catártico, que me fez suportar um pouco mais do meu dia estressante, chato e calorento. Foda-se Avatar, foda-se o aumento do IPTU, foda-se o engarrafamento, foda-se o calor, foda-se meu trabalho, foda-se o governo, foda-se tudo e todos que encham o meu saco.
Ao artista que escreveu essa singela frase, fica aqui minha homenagem e meus sinceros agradecimentos e “Foda-se os home”!
Tem várias outras coisas que não me interessam nem um pouco e não tenho nenhuma angústia ou constrangimento em assumir isso. Assim como não tenho a menor ansiedade de acompanhar todas as novidades e todas as tendências que surgem a cada dia. Não tenho twitter, não tenho IPhone, não faço parte de nenhuma ong para salvar o mundo, não tenho a menor vontade de ter um e-reader, não deixei de comprar CDs e nem pretendo, não baixo filme pela internet, não faço ioga, meditação transcendental, sexo tântrico ou leio livro de autoajuda, nunca li e nem pretendo ler Paulo Coelho, Harry Potter, o Crepúsculo ou a trilogia Senhor dos Anéis, não faço parte dos 80% que acham o governo Lula o máximo, não gosto de axé music, funk carioca, Jorge Vercillo, Ana Carolina, Seu Jorge, Malu Magalhães, Fresno e bandas novas que imitam bandas antigas que já ouvi.
Outro dia desses, em pleno engarrafamento, vi duas coisas que me chamaram mais a atenção do que tudo isso que escrevi antes. A primeira coisa foi um adesivo colado num Chevette velho, bege e todo enferrujado, dirigido por um sujeito gordo, feio e meio tosco, um típico “looser” como diriam os americanos. Mas o adesivo colado no seu Chevette era um primor da mais elevada autoestima: “A sua inveja é a minha força”.
Diga aí se o cara não tem uma autoestima admirável? Achar que alguém vai ter inveja dele, naquele Chevette velho e enferrujado, sem ar condicionado e soltando fumaça é a prova cabal de que aquele sujeito não se acha: ele tem é certeza! Parabéns para ele.
A outra coisa que chamou minha atenção foi uma enigmática pichação, num dos muros de concreto de um dos maiores canais de esgoto da cidade. Ela dizia: “Foda-se os home”, assim mesmo, com erro de concordância e tudo. A frase é um primor de fúria e inconformismo nilista, mas de quem será que o autor está falando? Seria da polícia, dos políticos, do sistema? Prefiro crer que a frase é na verdade uma obra aberta, onde cada um de nós pode escolher quem vai mandar se foder. Ali, naquele engarrafamento num dia de verão, ler “Foda-se os home” foi um bálsamo, um ato libertador quase que catártico, que me fez suportar um pouco mais do meu dia estressante, chato e calorento. Foda-se Avatar, foda-se o aumento do IPTU, foda-se o engarrafamento, foda-se o calor, foda-se meu trabalho, foda-se o governo, foda-se tudo e todos que encham o meu saco.
Ao artista que escreveu essa singela frase, fica aqui minha homenagem e meus sinceros agradecimentos e “Foda-se os home”!


