Sábado, 11 de Julho de 2009

Don`t stop `til get enough.

Eu, assim como você e todo mundo, vi o funeral de Michael Jackson. Todo mundo se emocionou com sua filha, com seus irmãos, seus amigos, suas músicas, com as palavras ditas na cerimônia e com o espetáculo no geral.
Com certeza o funeral de Michael Jackson foi a melhor coisa produzida por ele nos últimos 15 anos, um epílogo à altura da sua vida. Mas seu funeral foi além disso. Foi um ato capaz de limpar a sua biografia. Michael foi um gênio, um grande artista e o maior nome da música pop da história, em termos de popularidade, vendas e impacto mercadológico, mas também foi o cara que passou a perna no amigo Paul McCartney e comprou as músicas dos Beatles, balançou um bebê pela janela e foi acusado de pedofilia várias vezes. É preciso olhar para o fenômeno Michael Jackson sem mitificações, como se isso fosse possível... Mas vamos tentar.
Sua obra foi parte de um movimento que já começara décadas antes, de assimilação da música negra pelo mercado branco americano e, por tabela, pelo mercado mundial. Não foi Michael sozinho que fez isso ou inventou isso, embora tenha sido o mais bem sucedido nessa empreitada. Esse movimento teve grande impulso com a Motown, sua antiga gravadora e também de Steve Wonder, Marvin Gaye, Diana Ross, Temptations e muitos outros, e consistia em tirar da black music seu lado hard que tradicionalmente está nas suas letras, ou seja: sexo e política. Enquanto James Brown cantava “Sex machine” ou “Say it loud, I`m black and I`m proud”, artistas da Motown, como Stevie Wonder cantavam “You’re the susnhine of my life” e o Jackson Five tinha um band leader criança cantando “A-B-C/ One – two- three/ Do-re-mi” e todos eram geniais.
Mesmo os contemporâneos de Michael usavam e abusavam da tradição de falar sobre sexo, como Prince que foi durante anos o seu contraponto, mais ousado na música e na atitude e bem menos popular e simpático do que Michael. Essa rivalidade repetia uma tradição da música pop, que remetia aos Rolling Stones e Beatles, com os Stones ocupando o papel de “lado mau” dos Fab Four. E o melhor de tudo é que todos, Prince e Michael, Beatles e Stones, são geniais e fundamentais na história da música. Quanta diferença de qualidade em relação à música pop de hoje em dia, hein?
Michael era o cara certo na hora certa. Cantava e dançava como ninguém, era um bom moço que o mundo conhecia desde criancinha. Tudo que ele precisava fazer era se livrar dos irmãos menos talentosos e encontrar o produtor certo, que desse a base musical que lhe faltava (Michael não tocava instrumentos, não compunha todas as suas músicas e nem fazia seus arranjos) e ele estaria pronto para dominar o mundo. Aí veio Quincy Jones e nasceram Off the wall e, principalmente, Thriller. O resto é história.
Mas nos últimos tempos, tava difícil ser fã de Michael Jackson e era até meio constrangedor dizer isso. Michael passou de menino prodígio para adulto freak e acho que o momento que isso começou foi quando ele lançou o Bad, que tinha o seguinte refrão: “Porque eu sou mau/ você sabe que sou mau/ realmente mau”. Dava pra acreditar que Michael Jackson era mau, por mais que ele pegasse na virilha e fizesse cara de malvado? Acho que nessa época começou uma crise de personalidade, credibilidade e criatividade que ia dar no que deu.
Era complicado explicar para alguém mais jovem que aquele cara branquelo, esquisito, vestido de soldadinho de chumbo e acusado de pedofilia era capaz de fazer músicas geniais. Quem assistiu os últimos shows e clipes e tem um pingo de senso crítico ficava constrangido com a infantilidade de tudo aquilo. A música era o que menos importava, o que importava era a magalomania, a pirotecnia e o culto à personalidade, com fãs chorando, desmaiando, gritando e pouco se lixando para a música. E a música de Michael não precisava desses artifícios, como precisam os pop stars que vieram no seu rastro, como Britney Spears, Justin Timberlake, Madonna e vários outros que beberam da sua fonte e usaram muitos dos seus truques.
O seu funeral, totalmente dentro da tradição negra americana, devolveu Michael às suas raízes. Mostrou que apesar de tudo ele era negro, um artista negro. Mas nunca foi santo e nem um músico revolucionário, no sentido de criar uma obra de ruptura. Foi revolucionário enquanto artista e acho que não veremos nada parecido no futuro. Ele não foi um mártir que se sacrificou pelas crianças e nem foi assassinado pela imprensa, embora tenha sofrido muito na mão dela. Mas será que ele era inocente nesse processo? Não foi ele quem alimentou a imprensa durante anos com bizarrices de todo o tipo? Michael achou que era maior que a vida e não era. Não enquanto estava vivo. Agora, ele é maior que tudo e em breve teremos, assim como temos com Elvis, peregrinações, aparições e cultos quase religiosos ao rei do pop. Michael ainda vai dar muito o que falar e ainda vai render muita grana por muito tempo, mas, como todo grande artista, é a sua obra que vai continuar e isso é o que importa.

Domingo, 5 de Julho de 2009

Um homem incomum.

O que dizer mais sobre essa crise do Senado? Falar mais o quê sobre um cidadão como José Sarney?
Posso relembrar a folha corrida do elemento, que inclui o apoio incondicional ao regime militar, depois a mudança de lado quando a ditadura caia de podre ou seu caótico período como presidente da república, que terminou deixando o país em hiperinflação, atrasado em relação ao mundo graças a uma ridícula lei de reserva de mercado e ainda produziu um fenômeno inédito na história política universal: ter mais de 20 candidatos à sua sucessão unanimemente na oposição, inclusive o candidato do seu próprio partido.
Isso mostra o grande sucesso que foi a administração do presidente Sarney e nem precisei recorrer ao resultado dos seus mais de 40 anos no poder do Maranhão, que geraram um estado miserável e com alguns dos piores indicadores sociais do país. Mesmo assim, o presidente Lula diz que Sarney não é um homem comum e não deve ser julgado como um homem comum. Concordo com o presidente. Um homem comum não esquece de declarar uma mansão milionária à Justiça Eleitoral e nem tem um mordomo que ganha 12 mil reais pagos com dinheiro público. Um homem comum não inventa que é escritor e usa seu prestigio político para fomentar uma carreira literária e conquistar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras na marra, mesmo com uma obra no mínimo sofrível.
Outro argumento do presidente para defender o bigodudo maranhense, que é senador pelo Amapá embora não tenha nada a ver com o estado, é que ele na presidência do Senado garante a “Governabilidade”. O engraçado disso é que na sua época como presidente da república, quando mais precisávamos que ele garantisse a governabilidade, o país era uma um caos generalizado, graças a bizarrices como o famigerado Plano Cruzado, quando o bigodudo conclamou os brasileiros a virarem “fiscais do Sarney” e ficarmos todos de olho nos preços tabelados. Engraçado é que agora, quando alguém resolve ser fiscal do Sarney e ver o que ela anda fazendo no Senado, ele não gosta...
Daqui a pouco ele vai fazer igual a um outro ex-presidente e mandar esquecer o que ele escreveu. No caso de Sarney, levando em conta sua carreira literária e política, seria um prazer fazer isso.

Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

Bye, Michael.

A primeira vez que vi Michael Jackson ele ainda era preto e eu ainda era criança. Eu e o mundo ficamos de queixo caído com ele dançando, cantando, virando lobisomem, fazendo o moonwalk e assumindo o posto de artista mais famoso e importante do mundo, de forma justa e inconteste.
O primeiro disco dele que comprei foi o Thrilller, ainda em vinil, como também em vinil tenho o Bad e, anos depois, já mais velho e menos dependente da mesada, comprei toda coleção em CD e mais alguns DVDs.
Michael, na sua carreira pós Jackson Five, tem dois discos geniais e fundamentais (Off the Wall e Thriller), dois bons (Bad e Dangerous) e a partir daí, é ladeira abaixo. Quanto mais ele embranquecia, enlouquecia e afinava o nariz, pior iam ficando seus discos. Quem nasceu a partir dos 80, só conheceu Michael Jackson como um freak, suspeito de pedofilia e campeão de relançamentos de coletâneas, o que era muito triste de ver. A decadência artística arrastou o homem ou a decadência do homem arrastou o artista?
Há uns 15 anos Michael deixou de ser assunto quando se falava de música e deixou de ser relevante musicalmente. Virou assunto policial, alvo de piadas e de curiosidade mórbida. Essa volta anunciada para esse ano tinha tudo para ser um circo de horrores, um caça níqueis indigno do artista que foi Michael Jackson. Não só pela sua decadência artística, mas principalmente pela derrocada mental que ele parecia viver, já que um homem de 50 anos que balança bebês nas janelas, se veste de soldadinho de chumbo e age como uma criança de 8 anos de idade, é algo para ser tratado e não exposto no palco.
Mas mesmo com tudo isso, Michael Jackson continuava magnetizando a atenção de todos de forma impressionante. Repare o que acontece quando uma loja ou supermercado coloca um DVD dele pra tocar. Onde quer que seja, logo começa a se formar uma pequena multidão, embasbacada com sua performance, exatamente como eu fiquei na primeira vez que o vi e como você, caro leitor, deve ter ficado também.
Acho que talvez Michael sentisse tudo isso e sentisse também que no mundo dos downloads, da internet e das celebridades instantâneas, não tivesse mais lugar para um megastar como ele. Talvez a morte de Michael seja a saída de cena mais digna para um grande artista e marque o fim de uma era na música pop. Mas deixa isso pra lá, que Michael Jackson descanse em paz, coisa que ele nunca teve e muito por culpa dele, diga-se de passagem. A nós, admiradores e fãs, resta colocar uma música sua pra tocar e celebrar o que esse gênio pop fez de bom.

Domingo, 14 de Junho de 2009

Cuidado com a mordida!

Tem uma pequena história que sempre é relembrada quando se fala de jornalismo. É aquela que diz que quando um cachorro morde um homem não temos uma notícia. Mas quando o homem morde o cachorro, temos uma manchete na certa.
A queda de um avião ou o surgimento de uma nova doença são casos que podem ser inseridos na categoria do homem mordendo o cachorro mas, convenhamos, a cobertura atual desses dois eventos (desastre da Air France e gripe A) já está pra lá de saturada.
A comoção que as mortes do voo 447 causou e o interesse mórbido em ver os pedaços da fuselagem ou os corpos em todos os canais e telejornais, já transformaram o desastre em algo banal, numa espécie de versão cinema catástrofe do BBB, assim como as pessoas de máscara ao redor do mundo já viraram uma espécie de filme B vagabundo ou imitação de Michael Jackson.
Essa obsessão em cobrir desgraças 24 horas por dia e em todas as mídias possíveis banaliza tudo, inclusive vidas humanas. Na época que o avião caiu, vimos matérias com a história das vidas interrompidas pelo desastre. Todos eram pessoas especiais e com a vida inteira pela frente, como devem ser também as vidas de quem não morre num desastre aéreo, mas essas quase nunca ganham matérias. O exagero da cobertura era tanto que só faltou dizer que o herdeiro da família real brasileira que morreu no desastre ia assumir o trono em breve. Esses exagero e a superexposição transformaram a dor em showbusiness e as vítimas em celebridades pós-morte, num ato de banalização cruel e um tanto canalha.
Mas porque os 228 mortos do avião e as poucas centenas de vítimas da gripe A merecem mais atenção e sofrimento do que os milhares de mortos pela violência urbana, pelos desastres nas estradas abandonadas do país ou pela vergonhosa epidemia anual de dengue que assola o país? Será que a morte de cidadãos nessas circunstâncias já virou algo tão rotineiro quanto a tal mordida do vira lata no pobre coitado da história do começo desse texto?
A única dúvida que tenho nessa história é em qual dos dois papéis a gente se encaixa melhor, já que quando alguém morre num acidente provocado pelas estradas esburacadas ou de meningite, o papel é o do mordido. Mas se o alguém morre num desastre de avião, ele passa a ser o cachorro que toma a mordida.
Em resumo, o papel pode até mudar, mas a mordida do final da história a gente sempre leva.

Domingo, 7 de Junho de 2009

Morto de vergonha.

Quando a gente nasce, não tem a menor idéia do que vem fazer aqui. Crescemos e continuamos sem saber. Uns até acham que sabem e pode até ser que saibam mesmo, palmas para eles, mas certeza mesmo só temos que vamos morrer.
Essa certeza nos distinguiu das outras espécies que habitam o planeta e fez com que a humanidade evoluísse bastante, já que era preciso inventar algo para fazer no intervalo entre nosso embarque e o nosso desembarque por aqui. Para segurar a onda da nossa finitude, surgiram várias teorias sobre a vida após a morte (o que semanticamente já me parece um paradoxo imenso), sacralizações do ato de morrer, rituais para encomenda do defunto, monumentos fúnebres, obituários, filosofias, religiões, crenças metafísicas e milhares de subprodutos derivados da certeza do nosso empacotamento. Afinal, como dizia Nelson Rodrigues, “O homem só não anda de quatro porque morre”.
Existem vários tipos de morte. Tem a morte heróica, a inesperada, a necessária, a desnecessária, a inesperada, a almejada, a digna, a sofrida, a trágica, a revoltante, a sofrida, a tranquila, a acidental e muitos outros tipos, mas uma em especial me chamou a atenção recentemente: a morte ridícula.
David Carradine, astro de Kill Bill e o eterno Gafanhoto da série Kung Fu, teve uma das mortes mais ridículas que já tive conhecimento. Para evitar constrangimentos e mal entendidos, vou deixar o general Worapong Siewpreecha, da Polícia Metropolitana de Bangcoc, cidade onde o ator morreu, explicar o que aconteceu:
"Uma corda estava presa em torno do seu pescoço e uma outra em seu órgão sexual. As duas estavam ligadas uma à outra e penduradas no armário... Nestas circunstâncias, não podemos estar seguros de que tenha cometido um suicídio, pois ele pode ter morrido (em um acidente) de masturbação".
É isso aí. O astro do cinema, que só queria dar uma relaxada de um dia de trabalho ou aliviar a solidão num país distante, conseguiu a proeza de morrer acidentalmente se masturbando! Essa morte ridícula, além de interromper a carreira do ator, pode ter contribuído para ressucitar antigos preconceitos contra o ato solitário do onanismo, que datam do Antigo Testamento, quando Onan, para não engravidar sua cunhada após a morte do seu irmão, ejaculou fora e desperdiçou o sêmen com fins não reprodutivos, ato que a Igreja não perdoa até hoje e que, por isso, já fez muito punheteiro ter que pagar penitência.
Nesses tempos bizarros em que vivemos, não duvide se algum pastor, padre ou até mesmo o papa resolverem voltar a artilharia contra a masturbação, dizendo que além de fazer nascer cabelo na mão, ainda pode matar! Preconceitos injustos contra esse ato inofensivo que tanto bem já fez e faz a tanta gente e que é a única forma de auto-ajuda com 100% de êxito garantido.
Enfim, descanse em paz, David Carradine. Até porque se você sobrevivesse a esse episódio, paz é o que você não ia ter, com as gozações que iria ter que aguentar o resto da vida.

Domingo, 24 de Maio de 2009

Feliz aniversário, envelheço na cidade.

Em que momento da vida deixamos de ser jovens idealistas e passamos a ser velhos pragmáticos? Em que momento a geração de 68, que produziu uma revolução poética e política na França, lutou pela liberdade no Brasil e revolucionou a cultura e o comportamento no mundo todo, virou essa gente cínica, vazia e ignorante que nos governa e que manda no mundo hoje em dia?
Em que momento a minha geração, que foi pra rua derrubar um presidente com a cara pintada virou uma geração cara de pau, sem ideologia, espírito coletivo ou qualquer preocupação que não seja com o seu umbigo?
“A minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais”. Esses versos estão numa velha música, feita para comentar o fracasso da geração dos anos 60/70, mas que se encaixa perfeitamente no fracasso iminente da geração dos 80/90. Éramos os filhos da revolução, burgueses sem religião e o futuro da nação, como dizia Renato Russo, mas ao invés de derrubar reis e fazer comédia no cinema com as leis da geração passada, fizemos comédias piores que as deles.
O nosso fracasso é o mesmo, mas sem o romantismo e a beleza da geração passada. Deles herdamos só o cinismo, que legaremos para nossos filhos que estão nascendo num mundo sem ideologias, alternativas políticas consistentes, modelos econômicos diferentes e sem nenhuma perspectiva, mesmo que utópica, de revolução política, sexual, estética, musical, comportamental ou o que quer que seja.
Por que estou escrevendo tudo isso? Talvez porque a minha dor esteja na percepção de que a cada ano que passa sinto que minha hora de deixar de ser um jovem idealista e passar a ser um velho pragmático está mais próxima. Alguém que pare de se angustiar com as coisas como são e passe a aceitar a vida como ela é. O problema vai ser convencer aquele garoto que ia mudar o mundo a aceitar assistir a tudo em cima do muro.

Domingo, 17 de Maio de 2009

Cuidado! Tem gente querendo passar a mão na sua poupança.

Existem duas coisas que todo governo tem em comum: a incessante busca por novas formas de achacar o cidadão e o apoio do PMDB. O Governo Lula, como não podia deixar de ser, tem essas duas características assim como tiveram FHC, Itamar, Collor e Sarney. A novidade agora é que Lula resolveu mexer na nossa poupança. É duro isso, mas seremos obrigados a aceitar mais um presidente passando a mão na nossa poupança.
Quando a tradicional aplicação da pobretada dava um rendimento mixuruca, ninguém ligava. Mas bastou a ameaça da poupança passar a ser mais lucrativa do que os fundos de investimento, onde quem tem grana aplica normalmente, e o governo e os bancos, essa dupla amiga de fé e irmã camarada, já se movimenta para atacar.
A poupança, que era a única aplicação a salvo do ávido e implacável imposto de renda, agora não é mais. e o pior é que a regra para tributar nosso dinheiro é tão complicada que ninguém até hoje entendeu as explicações dadas. O que não dá para entender também é porque é preciso baixar a tributação dos fundos de ações e das taxas bancárias dessa turma que movimenta mais dinheiro, ao invés de preservar a velha caderneta que guarda as economias dos mais pobres e da classe média. Outra coisa que não dá pra entender também é porque ninguém fala em remunerar melhor, por exemplo, a grana do FGTS que é descontado do trabalhador.
Lula diz que essa nova tungada no dinheiro do povo só vai afetar 1% das cadernetas. Pra mim já é gente demais prejudicada por um governo que presta péssimos serviços em todas as áreas. Aliás, prestar péssimos serviços é como ter apoio do PMDB: todo governo é igual. Outro argumento do presidente para justificar mais esse saque ao cidadão é dizer que os que criticam a medida são os mesmo que estavam com Collor quando ele sequestrou o dinheiro dos brasileiros. Mas peraí! O Collor não tá com o Lula agora?
E enquanto isso, notinhas aqui e ali nos jornais e sites mostram um movimento no congresso, reunindo deputados do baixo clero para ressucitar a idéia do terceiro mandato de Lula, através de um plebiscito que se realizaria em setembro. O curioso é que o deputado que está sugerindo essa emenda já conseguiu 171 assinaturas para o seu projeto.
Percebeu a coincidência do número? O 171 é o mesmo número do artigo do código penal brasileiro que penaliza o estelionato. Veja o que diz o famoso artigo um sete um:

Art. 171 - Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, e multa.

Será que mexer na constituição e na nossa poupança também não é 171?

Sábado, 2 de Maio de 2009

A noite dos mortos-vivos.

Nunca concordei com esse clichê que diz que a música produzida nos anos 80 é um lixo, que foi uma década perdida e que tudo se resume a camisa OP, carteira emborrachada e com velcro ou cabelos com mullets. Os anos 80 tiveram o The Police, Smiths, U2, The Cure, Prince, Michael Jackson (ainda negão) e muita gente boa no exterior, além de Cazuza, Legião, Paralamas, Titãs e mais um monte de gente legal no Brasil. Teve um monte de tranqueira também, claro, como em qualquer época.
Sempre tive impressão que essas festas de revival anos 80 eram coisa pra retardado. Um bando de trintão e quarentão remexendo na lixeira de uma época e se infantilizando durante algumas horas, com aquela idéia boba de que o passado é sempre melhor. Nunca fui numa festa dessas, mas eis que, zappeando numa madrugada encontro, no Canal Brasil, um show da famigerada Festa Ploc e pude comprovar minha teoria: é festa pra retardado mesmo.
A tal Festa Ploc é um circo dos horrores, um trem fantasma, a noite dos mortos-vivos. Eles reuniram a turma do terceiro escalão dos 80`s, aquela galera que já era uma merda na sua época e que com o passar dos anos deixou de ser apenas insignificante e passou a ser patética. O trecho que vi teve coisas inacreditáveis, parecia o clipe de Thrilller, quando os zumbis saem das sepulturas. Teve gente como Biafra, Marcos Sabino, Adriana, Silvinho Blau-Blau, Sérgio Mallandro, a mulher do Kaoma (a do “chorando se foi...”), que mais parecia o monstro da lagoa negra, teve uns caras que não sei quem são cantando coisas como “Mama Maria” e até mesmo a ceguinha Kátia eles resgataram, só faltou o seu cão guia dar uma canja latindo algum hit da época.
Mas o mais deprimente são as bandas infantis. Ver um bando de marmanjo barrigudo e careca cantando coisas como “Uni-du-ni-tê, salamê-minguê” e fazendo coreografia para “Thunder-thunder-thundercats” é triste e constrangedor. Nada contra crianças cantando música para crianças, mas ver adultos que não conseguiram ter uma carreira ou produzir nada novo, cantando as mesmas musica de quando eles tinham 8 anos de idade é mais ou menos como um escritor lançar suas redações da 3ª série num livro ou um ator encenar suas pecinhas da escola num palco profissional.
Sem contar que dá vergonha até de assistir adultos cantando em corinho sob o nome de “Abelhudos”ou um sujeito de meia idade entoando versos como “Piuí, piuí, piui abacaxi/ shock, schok, shok por aí”. E o pior é ver um monte de adulto na platéia fazendo trenzinho, balançando o barrigão fazendo coreografias que envergonhariam seus filhos de 5 anos e mostrando que tem gente pra tudo nesse mundo, até mesmo para aplaudir a exumação de cadáveres.

Quinta-feira, 30 de Abril de 2009

Gripe espírito de porco.

Depois da vaca louca e da gripe aviária, chegou a vez da gripe suína. Segundo a Organização Mundial de Saúde, o mundo corre o risco de uma pandemia. As imagens que chegam do México são assustadoras e dignas de filmes-catástrofe, com todo mundo de máscara e luvas, um troço surreal.
As notícias de todo o mundo são alarmantes. Os remédios acabando, líderes mundiais reunidos com semblante grave, alerta nível 5 numa escala que vai até 6, porcos sendo sacrificados, casos de gripe confirmados em 9 países e diversos casos suspeitos em dezenas de outras nações. Terror e pânico! Esse é o quadro.
Os sintomas da gripe suína são similares aos da gripe comum e meio parecidos com o da dengue. Como saber se o sujeito está com a suína ou so com uma gripezinha qualquer? Não tenho a menor idéia mas, por via das dúvidas, já suspendi o presunto e o salame da minha dieta, não contarei mais a história dos 3 porquinhos para minha sobrinha (com medo de assustar a menina ou dela ter mais medo dos porquinhos do que do Lobo Mau) e já ando de olho em qualquer porco usando lenço de papel ou espirrando de forma suspeita.
Outra coisa importante: agora, mais do que nunca, estou evitando conviver com gente que tem espírito de porco. Não sei se isso previne contra a gripe, mas com certeza faz bem para a saúde.

Domingo, 26 de Abril de 2009

Libertas quae sera tamen.

Eu poderia falar do escândalo das passagens aéreas. Poderia falar do presidente do Paraguai, o bispo adepto do crescei-vos e multiplicai-vos. Poderia falar dos dois gols de Ronaldo, de um filme legal que assisti ontem, o documentário Palavra (en)cantada. Podia falar do tempo e das chuvas que desabaram na cidade. Poderia reclamar do prefeito, fazer alguma piada com Lula, falar do câncer de Dilma, do livro que estou lendo, dos livros que comprei agora a pouco, do segundo livro que estou tentando escrever... Eu poderia falar de tudo isso ou falar de mim, da minha família, dos meus amigos, das mulheres que passaram e das que passarão pela minha vida. Podia falar do que eu quisesse, afinal o blog é meu e tenho liberdade pra escrever sobre o que eu quiser aqui. Mas aí me lembrei de um trecho de uma entrevista que li hoje de manhã:
“Somos tão mais livres quanto mais longe estamos da idéia de liberdade... só pensa em liberdade quem necessita se curvar às leis e regras de conduta que a restringem”.
Essa frase está na entrevista da atriz Juliana Galdino, que respondeu como Pedro, o vermelho, seu personagem na peça Comunicação a uma Academia, baseada em texto de Franz Kafka. Se a frase é dela ou de Kafka, não sei. Mas ela me fez ver que nem no seu próprio blog um ser humano consegue ser livre de verdade...

Segunda-feira, 6 de Abril de 2009

“Here we are now, entertain us” – Kurt Cobain.

Eu tinha uns 16 ou 17 anos, mas já me considerava um roqueiro experiente. Afinal, fui um bebê ninado ouvindo Raul Seixas e Beatles, aos 9 virei várias noites seguidas para assistir o primeiro Rock in Rio pela TV, aos 10 comprei meu primeiro disco de rock, colecionava a revista Bizz (bíblia do pop rock da época) desde o número 01 e tinha acabado de comprar uma guitarra. Todos esses fatos e mais a soberba adolescente, faziam com que eu achasse que já sabia de tudo sobre rock e que nada mais me surpreenderia. Até que ouvi um riff meio tosco e uma música meio punk, meio pop chamada “Smells like teen spirit”, de uma banda desconhecida chamada Nirvana.
Corria o ano de 1991 e Kurt Cobain chegou para traduzir tudo que eu e grande parte da minha geração sentíamos: um pessimismo, um desconforto diante das coisas, uma vontade de mandar tudo à merda e de lutar contra o cinismo que a vida adulta trazia. Cobain parecia saber que não tinha jeito, que a vaca ia para o brejo mesmo – Come as you are, baby - e já que é assim, a gente devia pelo menos espernear para dificultar o trajeto.
Eu achava que o Nirvana não ia estourar, que ia ser mais uma banda para iniciados, mas os caras viraram mega stars. E quanto mais sucesso a banda fazia, mais Kurt Cobain parecia incomodado. Ele sabia que isso era a sua cooptação pelo “sistema”, pela vida adulta cínica, escrota e filha da puta que tanto odiávamos. Por mais que ele estribuchasse e fizesse mal-criação, não tinha jeito. Ele ia para o mesmo clube de Axl Rose e Madonna, assim como nós todos iríamos acabar em algum empreguinho careta, juntando dinheiro para dar entrada num carrinho, casando, tendo filhos, ficando carecas e iguais aos nossos pais.
Como um típico herói romântico, Kurt preferiu ser um cadáver jovem a ser mais um rockstar cínico, milionário e medíocre, e nós, seus fãs e ex-grunges, estamos agora caminhando para os 40, ouvindo Nirvana no Ipod e cada dia mais parecidos com o cara que ele descreveu na música “In Bloom”:

He's the one who likes (Ele é o cara que gosta de)
All the pretty songs and he (Todas as nossas músicas bonitinhas e ele)
Likes to sing along and he (Gosta de cantarolar junto e ele)
Likes to shoot his gun but he (Gosta de atirar com sua arma mas ele)
Don't know what it means (Não entende o que significa)
Don't know what it means (Não entende o que significa)
And I say Yeah (E eu digo Yeah!)

Yeah, Kurt!

Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009

Charles Darwin não anda de Lada.

Tem alguns sujeitos que a gente não pode negar que mudaram o mundo. Charles Darwin é um deles. Darwin conseguiu, com uma idéia até simples - a Teoria da Evolução - praticamente sepultar a baboseira criacionista de Adão e Eva, pelo menos entre os seres humanos de bom senso.
Com todo respeito a quem crê na existência de um ser supremo que criou o céu e a terra e no domingo parou para assistir o Fantástico, não dá pra acreditar nisso. Se é pra acreditar no criacionismo, vamos acreditar também no Papai Noel, no Coelhinho da Páscoa e na Mula-sem-cabeça, já que as provas da existência dessas entidades são tão consistentes quanto as da existência de Adão e Eva, quer conseguiram a proeza de ter dois filhos homens, Caim e Abel, e assim mesmo povoar o mundo inteiro, num caso fantástico e milagroso de incesto homossexual que gerou filhos sem a presença de uma mulher e mesmo assim produziu bilhões de descendentes.
O bom e velho Darwin chegou com uma teoria brilhante e absolutamente lógica: os mais fortes e mais adaptados sobrevivem, os mais fracos, não. Ou, traduzindo para o linguajar chulo das ruas: “quem não tem competência, não se estabelece”. Essa premissa explica muito do funcionamento do mundo e vale para empresas, pessoas, países e para entender melhor o animal que domina e destrói o mundo, um macaco pelado, que anda em pé e tem CPF, mas que age como seus primos da selva na hora de defender o seu lado.
A teoria da evolução também pode ser traduzida com outro ditado popular: “farinha pouca, meu pirão primeiro”, o que pode explicar o sucesso do capitalismo, como sistema econômico mais bem sucedido da história. Afinal, no capitalismo os mais fortes, mais espertos e mais bem equipados se dão bem no final, mesmo que jogando sujo.
Aliás, jogar sujo, darwinianamente falando, pode ser explicado como uma ferramenta da natureza e o National Geographic está cheio de documentários mostrando que os bichos também trapaceiam. Outro dia vi um documentário com uma cobra macho que exalava cheiro de fêmea só pra enganar outros machos que perdiam tempo cortejando a cobra travesti, enquanto ela/ele mandava ver nas cobrinhas fêmeas. Isso não é jogar sujo?
E em tempos de crise global, alguns criacionistas econômicos ainda dizem que o capitalismo acabou e que o estado é que vai salvar a economia. Agora eu pergunto:
- De onde vem o dinheiro do Estado?
Eu mesmo respondo:
- Dos impostos.
- E de onde vem o dinheiro dos impostos?
- Das empresas, trabalhadores e setor produtivo em geral. Quanto mais a economia privada produzir riqueza, mais impostos e mais dinheiro os Estados vão ter.
Então, vem outra pergunta:
- Se não fosse o capitalismo, o Estado produziria riqueza suficiente para injetar dinheiro na economia e tentar reverter os erros, maracutaias e irresponsabilidades dos picaretas que acharam que eram mais espertos do que os outros?
Provavelmente não, como mostram os exemplos históricos dos países socialistas, como a outrora poderosa URSS, que quebrou fragorosamente. Para ilustrar o fracasso econômico soviético e dar mais um exemplo Darwiniano, podemos recorrer à indústria automobilística. Enquanto o mundo capitalista produzia carros cada dia melhores e mais modernos, os soviéticos produziam Ladas, lembram deles? Umas arabacas horrorosas, toscas e pouco melhores do que uma carroça, que a gente ainda vê circulando por aí. Como comprovado por Darwin, só os mais fortes sobrevivem e o Lada desapareceu do mapa, assim como o socialismo soviético e os amantes do Estado gigantesco. Nesse ponto, estou com Obama que disse algo como “não importa o tamanho do Estado. O que importa é que ele funcione” e se funciona sobrevive, como comprova a teoria de Charles Darwin e a extinção de coisas como a fita cassete ou o Lada.